Nessa quinta, a Comissão Especial da Assembleia Legislativa para acompanhar a situação das barragens em Pernambuco realizou vistorias nas represas de Duas Unas, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, e Goitá, em Paudalho, na Mata Norte. Os dois empreendimentos são administrados pela Compesa. O gerente de Segurança de Barragens da empresa, Hudson Pedrosa, acompanhou as vistorias. Ele informou que a Compesa trabalha para cumprir as exigências da política nacional de segurança de barragens: “Em nossas inspeções, a gente não encontrou nenhuma anomalia que comprometesse a estrutura da barragem, que possa vir a ocorrer o rompimento delas. então esse risco é muito pequeno. porém, aponta algumas manutenções.”
A criação da Gerência de Segurança de Barragens da Compesa é uma medida recente. o presidente da Comissão da Alepe, deputado Antônio Moraes, do PP, entende que a iniciativa é um efeito do trabalho do colegiado: “Antes da Comissão, estava tudo abandonado. Não havia nenhum tipo de controle, manutenção ou planos de fuga. Agora, não. Com essa gerência, a gente já tem a quem cobrar, e isso vai ser organizado, vai ter cadastramento dessas barragens e acompanhamento.”
A Comissão Especial para acompanhar a situação das barragens em Pernambuco foi instalada após a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais. O objetivo é monitorar os reservatórios do estado para evitar acidentes. A classificação de risco de Duas Unas e Goitá é alta, o que não significa perigo de rompimento. Essa avaliação leva em conta fatores como o porte da barragem e a frequência dos monitoramentos.
A geóloga Ranjana Yadav, assessora técnica do colegiado, apontou a necessidade de manutenção dos equipamentos que têm sido vistoriados pela comissão: “Essas barragens, muitas delas têm idade desconhecida, muitas vezes 50 anos, 40 anos, e algumas delas nem a idade nós sabemos. Portanto, agora é focar nos serviços que podem ser realizados de hoje para a frente, justamente para evitar tragédias maiores, como as que ocorreram em Brumadinho e Mariana.”
O relator do colegiado, deputado Romero Sales Filho, do PTB, concorda que a falta de manutenção, verificada nas vistorias já realizadas, seja o principal problema das barragens de pernambuco. “Assim como as demais barragens que visitamos, tem os mesmos problemas: falta de manutenção, falta de monitoramento constante, falta de fiscalização. Sabemos que são estruturas sólidas, que foram feitas para não derrubar, mas 40 anos de intempéries, sem manutenção, nenhuma estrutura sobrexiste. Então a gente precisa desse olhar, dessa atenção maior, de todos os órgãos competentes, não só a Compesa, mas a Secretaria de Infraestrutura, a Apac, a CPRH e o DNOCS também.”
Ao final dos trabalhos, a Comissão Especial da Alepe deve elaborar um projeto de lei para aprimorar a manutenção e reforçar a segurança das barragens em Pernambuco.
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